O GRANDE MAL DA INTOLERÂNCIA

Não podemos esquecer que a sociedade brasileira está armada e violenta, e que com muita facilidade renovamos o uso de armas no plebiscito em 2005.

Nunca poderemos esquecer também, que criar barreiras para a circulação de armas não é uma fórmula mágica capaz de proteger a sociedade de psicopatas como o assassino de Realengo, mas é uma das tantas medidas a serem tomadas pelo poder público para conter a banalização das tragédias.

Também não podemos esquecer que o assassino das crianças não tinha amigos, não tinha afetos, não tinha nada, mas tinha um computador. Ali, sozinho com ele, sem mediadores não virtuais que o pudessem conduzir para um outro caminho de reflexões e posturas na vida, sua mente doentia aprendia gradativamente as distorções de um convívio ao menos viável dentro da difícil arte de viver.

Sim, pois tomo aqui as palavras do Ancelmo Góis diante do horror do ataque à escola: “Fico pensando que o ser humano é mesmo inviável”. Mas isto não é novidade, pois não somente se manifesta em atos extremos como neste massacre, mas numa coleção infinita de crimes cometidos cotidianamente através de todo e qualquer tipo de intolerância: ideológica, religiosa, social, sexual, étnica, cultural, política, e assim vamos…

A intolerância está por trás (ou na frente) de qualquer ato racista, homofóbico, e todos os outros mais.

Cacá Diegues, o cineasta, fechou brilhantemente sua crônica “O HORROR DA DIFERENÇA”, sábado, 9 de abril no jornal O Globo, e deixo aqui sua reflexão:

“Não adianta usarmos a fechadura mais rigorosa das leis contra o racismo e a homofobia, enquanto deixarmos prevalecer entre nós o horror da diferença. A intolerância vai sempre acabar entrando pelas frestas de portas e janelas de nossas vidas sociais, como entrou na escola de Realengo”.

Logo m3 Agência Digital